Problemas com algas?

Por Rodrigo Inhaquites

As algas são verdadeiras pedras no sapato dos aquaristas. Isso acontece porque elas aparecem nas pedras e até mesmo no vidro, sendo popularmente chamadas de limo, e conferindo ao aquário muitas vezes uma aparência bastante desagradável.

Além do limo nas pedras e vidros, já citado, existem algumas algas que nascem em forma de tufos, as quais são chamadas de algas petecas, e existem também as algas filamentosas que parecem fios de linha muito finos.

O que é comum a todas elas, é que aparecem devido ao excesso de nutrientes presentes na água. Alguns dos motivos mais comuns são a alimentação em excesso, a superlotação de peixes e/ou peixes grandes demais no aquário, no qual nosso sistema de filtragem da água não está dando conta do recado e/ou não estamos efetuando a troca dos refis no tempo certo, a limpeza inadequada do filtro e quantidade de TPA’s (Troca Parcial de Água) insuficiente.

Embora atribuído apenas excesso de luz, o aparecimento de algas na maioria das vezes pode ser ocasionado por uma combinação de muita matéria orgânica com uma iluminação excessiva. Ou seja, o aparecimento das algas significa que a qualidade da água está inferior ao que deveria, e que temos um desequilíbrio na biologia do nosso aquário.

Mas o que devo fazer?

Faça todos os testes! Verifique e ajuste todos os parâmetros, pois as algas se alimentam de nitrato e fosfato, e o alto índice dessas substâncias somados à iluminação excessiva propiciam um ambiente ideal para a superprodução desses organismos que se reproduzem de forma assexuada por divisão binária.

Faça TPA’s de 20 a 30% semanais, sifonando os resíduos e detritos depositados no fundo do aquário. Em alguns casos extremos, recomenda-se que as TPA’s sejam realizadas em períodos ainda mais curtos. Para aquários plantados a indicação é realizar apenas as TPA’s, pois a sifonagem pode ocasionar o desprendimento das plantas que compõem a sua flora. É necessário aguardar o período de aproximadamente uma hora após a conclusão da TPA e sifonagem – quando essa for necessária – para a troca do refil do filtro.

Ao limpar o vidro lembre-se que algumas algas verdes são altamente contagiosas. Isso significa que, no caso de uma infestação, basta apenas repetir a mesma esponja nas limpezas posteriores para que as algas reapareçam. Procure utilizar uma esponja nova para cada limpeza, podendo inclusive ser uma esponja comum de louça – lembrando de usar somente o lado amarelo, mais macio.

Dose melhor a alimentação; não é porque não sobra que você não está alimentando demais. Verifique sempre a indicação e dimensionamento adequados da ração para as espécies que povoam o aquário, pois atualmente o mercado oferece marcas de excelente qualidade e alto rendimento nutricional a preços acessíveis. Rações boas não esfarelam e são mais facilmente ingeridas pelos peixes, evitando desperdícios e acúmulo de matéria orgânica no fundo do aquário. Além disso, algumas marcas podem apresentar durabilidade de cinco a seis meses, portanto invista em alimentos de qualidade.

Aumente a circulação de água através da regulagem ou troca do filtro por outro de maior capacidade (L/H), pois pouca circulação favorece a proliferação das algas. A indicação é que a vazão do filtro seja de 4 a 10 vezes a litragem do aquário, melhorando o sistema de filtragem e garantindo uma melhor qualidade da água.

Uma alternativa muito utilizada por aquaristas para problemas com algas suspensas, ou água verde, é o famoso apagão. Essa técnica é realizada através da cobertura completa do aquário impedindo a passagem de luz por um período de três a quatro dias e, consequentemente, desfavorecendo a reprodução das algas. Pode ser utilizado até mesmo papelão para essa finalidade.

Na luta contra as algas temos alguns aliados naturais que podem ser utilizados respeitando o limite de população adequado do aquário. Os mais baratos e comuns são as molinésias, peixes pequenos que se alimentam naturalmente de algas; fique por 2 ou 3 dias sem alimentá-las e elas irão trabalhar como nunca!

Há também as espécies da família dos Loricariidae, peixes popularmente chamados de cascudos, que são ótimos comedores de algas. Fique atento, pois esses peixes têm o hábito de revolver o fundo do aquário, desprendendo as plantas e desarranjando os cascalhos; cascudos pequenos podem ser utilizados sem maiores problemas, mas monitore o crescimento deles para que não prejudiquem o limite da população do aquário.

Outro bom exterminador de algas são as chamadas ampulárias, caramujos que promovem a limpeza de superfícies onde possam se deslocar (pedras, vidro, plantas), além de conferirem um aspecto bem natural ao aquário. É bastante comum a criação de ampulárias para ornamentar aquários comunitários devido a sua estética exótica.

Existe ainda algumas espécies de camarões que se adaptam bem em aquários comunitários e que podem ser ótimos aliados no combate às algas entre pedras e plantas, além de agregarem valor estético. Os camarões são bastante sensíveis à qualidade da água (PH, GH e NH3), além de serem presas fáceis para peixes maiores, exigindo atenção e monitoramento constante.

É importante ressaltar que as alternativas apresentadas até aqui são naturais e de baixo impacto, visando a preservação da qualidade da água e sua biologia.

Para o uso de algicidas é sempre recomendado procurar um profissional qualificado para descobrir qual produto utilizar e quais as quantidades corretas, considerando sempre a indicação do fabricante. Algicidas em quantidades elevadas podem matar tanto plantas, quanto os peixes. Como estes produtos podem diminuir a oxigenação da água, é aconselhável adicionar um compressor com uma pedra porosa no aquário durante o período em que for ministrado o algicida.

E lembre-se, de nada adianta utilizar um algicida sem antes identificar a origem do problema e corrigi-lo como citado nesse post.

Texto adaptado de O Aquário de Água Doce sem Mistérios

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